segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Perto do Paraíso

Há lugares assim como São Tomé e Príncipe. Capazes de desencadear as mais fulminantes paixões. Álvaro Vieira andou pelo mais pequeno país africano e voltou de lá com os olhos e o coração cheios de mar azul e floresta intensamente verde. Há momentos que não têm preço, pelos quais merece a pena empreender qualquer viagem, mesmo que ela não seja das mais baratas nem curtas.
Imagine-se a, depois de um dia bem passado, chegar a uma praia, já de madrugada, num país onde, em pleno Verão, a noite apaga tudo, de repente, às seis da tarde. Esta noite não apagou as estrelas, contudo, e ali ao lado, na antiga roça Diogo Pires, até acendeu um néon, que destoa na paisagem mas dá um certo jeito: é que as nuvens entretiveram-se a embrulhar a lua. Você também está com sorte, porque quatro coqueiros imponentes dispuseram-se a ficar, destacados, a assinalar o sítio onde, à quarta tentativa, descobriu, sob a vegetação, as escadinhas irregulares que o hão-de devolver à estrada, onde deixou o carro.
A praia, de areia macia, está cheia de aluviões e o bocado de mar que por aqui ficou a brincar está quente, dão umas boas-vindas calorosas. O oceano é particularmente meigo. Até as ondas se oferecem num embalo tépido. E, para acrescentar um toque de fantástico à experiência, descobre que os seus movimentos na água deixam um rasto de pontos luminosos. Como este mar é muito rico em fósforo, parece que, à mínima agitação do seu corpo, se acendem, por magia, centenas de “pirilampos marinhos” que o seguem fielmente. Está-se «levi-leve», expressão que tanto quer dizer «calma» como «está-se bem»: «’Tá-se, ‘tá-se? Levi-leve, obrigado».
Praia das Conchas
Ao regressar ao sítio onde deixou a roupa, ouve jovens negros desejarem-lhe boa noite, antes mesmo de lhes conseguir ver o branco dos olhos, ao passarem por si na escuridão quase absoluta. Que fácil seria alguém roubar-lhe a roupa, a carteira, a chave do carro… Mas, neste sítio, só com muito azar alguém se sentirá inseguro. É um quadro demasiado idílico para ser plausível ou têm razão aqueles que chamam “paraíso tropical” e “jóia do Equador” ao arquipélago de São Tomé e Príncipe, o mais pequeno dos estados africanos? A verdade é que momentos como este podem ser vividos em Água Izé e noutras praias deslumbrantes, e praticamente desertas, da Ilha de São Tomé. Como Sete Ondas, Conchas, Tamarindos e Micondó, onde a vegetação tropical também já não deixa o jipe seguir o rio que desce levi-leve para o mar, ou Lagoa Azul, onde a cor do Atlântico faz inveja ao próprio céu, sob o qual se espreguiçam os embondeiros. Nesta praia de rochas vulcânicas, que deixam os pés tingidos com um preto persistente, até há tamarindos e cocos para O paraíso sãotomense também se expressa através da selva tropical, onde nem sequer há grandes feras (a cobra-preta é o único bicho perigoso) a espreitar no verde poderoso, capaz de fechar estradas quase da noite para o dia e sempre pronto a exibir uma paleta de tons e formas que até fazem da criatividade uma obrigação. Há tubérculos saborosos, como a matabala e a mandioca, e frutos de dimensões generosas, como a jaca, a fruta-pão ou a papaia, que brotam espontaneamente e alimentam a vocação primitiva dos homens, que é a de serem recolectores. As bananeiras, então, instalam-se sozinhas em qualquer quintal: “Tem banana-prata, banana-ouro, banana-maçã, banana-pão…”, enumera um empregado de mesa, com o orgulho de quem recita um poema de exaltação nacional aprendido na escola.
Até o mar é mãos largas. A toda a hora, na lota junto ao mercado da capital, os barcos enchem baldes e baldes de concons com cara de dinossauro, chernes apolíticos, andalas, peixe-fumo, peixe-voador, peixe-agulha… E há vários anos que não se regista qualquer problema com o tubarão. ” Foge de gente”, asseguram os pescadores, rindo do receio dos turistas.
Claro que até no Éden há problemas, é dos livros, e São Tomé e Príncipe não é excepção. O paludismo, ou malária, é umas das principais causas de morte desta população de130 mil habitantes. Governo e investidores coincidem na opinião de que a doença, propagada pelo mosquito, continua a ser um entrave ao desenvolvimento do turismo, que apesar de tudo tem progredido. Nos últimos tempos, os Estados Unidos da América deram sinais de pretender erradicar o paludismo deste arquipélago, a 200 quilómetros do Golfo da Guiné. E como S. Tomé e Príncipe começou agora a explorar as suas jazidas de petróleo…
Por outro lado, S. Tomé e Príncipe também não será um paraíso, enquanto a maioria da população viver na pobreza. O salário médio em pouco ultrapassa os quinze euros e os preços, depois de nos habituarmos ao facto de um euro valer nove mil dobras, acabam por se revelar demasiado parecidos com os portugueses. A luz e a água faltam com frequência. Há geradores por toda a parte, às vezes não há é combustível para o gerador. Não existem transportes públicos. A partir das quatro da manhã, as estradas enchem-se de mulheres carregadas a pé, a caminho do mercado para vender os hortícolas caseiros. Não admira que quem as vê, no mercado, repare que estão todas com ar cansado, mão a segurar o queixo, olhos semicerrados.
O mercado é, aliás, um dos pontos de visita obrigatória, na capital. Tem um aspecto miserável. Já foi amarelo e azul. Agora, é apenas velho, mas ainda assim cheio de vida. Vende-se tudo, desde legumes, fruta e peixe seco a lápis e isqueiros, mas em pequenas quantidades, à medida das bolsas. Até os cigarros e as bolachas se compram à unidade… Também há garrafas trazidas de casa com vinho de palma, mas mais vale bebê-lo no produtor – o vinho de palma não deve ser ingerido muito depois de produzido, torna-se demasiado alcoólico e desarranja a barriga.
É na zona do mercado que se concentra a maior parte dos táxis. Normalmente, em idade de reforma e com várias cicatrizes de guerra. Mas não há muitas peças de automóveis em S. Tomé, nem dinheiro para mandar arranjar viaturas. Como não se encontram táxis de madrugada – aliás, exceptuando as discotecas Argentemoa, Canecão e Fé em Deus, a vida nocturna acaba cedo -, o melhor é alugar um automóvel ou um jipe para garantir a autonomia. Os preços variam, respectivamente, entre os 30/40 e os 50/60 euros ou dólares, consoante o estado do veículo que raramente é famoso.
O bar Tropicana é também clube de «fitness», «health club» e «cibercafé». Pode aceder-se à Internet, mas até os Pentium 4 evoluem muito muito levi-leve. Diz-se que a culpa é do serviço que a Portugal Telecom presta a São Tomé e Príncipe.

“Puxa-rapaz”

Forte de São Sebastião
Na capital, de São Tomé, merece a pena visitar o forte de São Sebastião, mesmo no extremo da baía de Ana Chaves. Edificado pelos portugueses no século XVII, funciona hoje como Museu Nacional de S. Tomé e Príncipe. Está guardado pelas estátuas de João de Santarém e Pêro Escobar, os portugueses que, supõe-se que em 1470, desembarcaram pela primeira vez no arquipélago, mais concretamente em Anambó, onde um padrão assinala o momento histórico. Estas são as estátuas de que muitos portugueses se recordarão de ter visto na televisão, apeadas e seccionadas, após a independência de S. Tomé e Príncipe. Voltaram a ser montadas, mas ficaram junto ao museu, como que a sublinhar que pertencem mesmo à história. Nas monografias publicadas pela antiga Agência Nacional Ultramarina, encontramo-las nas praças e rotundas principais, rodeadas de edifícios públicos que hoje ou estão decrépitos ou desapareceram.
A visita ao Museu Nacional permite, contudo, compreender porque não se ouve, pelo menos na capital, ninguém suspirar pelo período anterior à independência. Com um cunho fortemente ideológico próprio da alvorada do regime marxista de 1975-90, o museu conta as histórias do povoamento do arquipélago por escravos de diferentes proveniências, das relações feudais que persistiam nas roças mesmo por altura do 25 de Abril, da chacina de Batapá e da tortura dos independentistas. E para efeitos de comparação, apresenta uma réplica da faustosa sala de jantar do patrão da roça, quase sempre na metrópole a pretexto da insalubridade do clima equatorial, e espartana senzala, onde se amontoavam os negros.
Actualmente, as roças sãotomenses perderam o estatuto de maiores produtoras mundiais de cacau e parecem abandonadas, apesar de muitas estarem concessionadas e terem já retomado a produção ou ensaiarem a reconversão para fins turísticos. O hospital da roça Agostinho Neto, que chegou a ser considerado melhor do que o da capital, está desactivado. O patrão da roça foi embora, mas com ele também desapareceram os vagões que circulavam nos carris que cruzam as roças, e as senzalas continuam cheias de gente.
Sobretudo de crianças. Em São Tomé e Príncipe, há crianças por toda a parte, a oferecer artesanato, cocos, rosas de porcelana (a flor nacional), e framboesas – a que chamam «morangos» – aos turistas, ou, simplesmente, a passear carrinhos e outros brinquedos de madeira e lata, semelhantes aos dos nossos avós. Fica-se com a sensação de que o arquipélago tem uma taxa de natalidade impressionante. Os sãotomenses, quando apresentam um fruto, semente ou raíz aos turistas, estão sempre a dizer que aquilo «puxa-rapaz». É tudo afrodisíaco. Talvez seja verdade.

Cuidados «Aprés» e «Avant-soleil» de São Tomé

Se escolheu SãoTomé e Príncipe apenas por uma bela fotografia de praia, imaginando que, se a praia é assim, tudo o resto deve ser um luxo, arrisca-se a apanhar uma decepção. Primeiro, deve lembrar-se de que ninguém faz «posters» de praias com imagens de dias nublados, e eles são muitos, por aqui. Por outro lado, convém recordar que os parâmetros de conforto em África, unidades hoteleiras incluídas, não são exactamente os mesmos que na Europa.
São Tomé e Príncipe até tem algumas estâncias de qualidade francamente superior. Quem se enfiasse nelas o tempo todo, até poderia regressar com uma imagem relativamente próxima de umas férias de prospecto. Mas seria um desperdício. A par da natureza, o contacto com o povo, simples e acolhedor, é das melhores recordações de viagem que se podem coleccionar. Convém ter algum espírito de aventura e tomar certas precauções ao visitar S. Tomé e Príncipe. Mas não se deixe impressionar pela lista de recomendações: o arquipélago é um destino acessível a qualquer pessoa e francamente recomendável.

Antes

É preciso passaporte e visto.
A vacina da febre amarela é obrigatória e é importante fazer a profilaxia do paludismo. Não espere pela véspera da viagem para consultar o médico e iniciar o tratamento. Se começar em cima da hora, vai ter que tomar doses cavalares de comprimidos à base de quinino, que provocam náuseas e neura. Não se esqueça de continuar a tomar esta pílula semanal, enquanto lá estiver e depois de regressar, como costuma acontecer a muita gente mal retoma o quotidiano de onde partiu. Arme-se com repelente de mosquitos. Os de «stick» são melhores do que os de «spray», por serem mais fáceis de espalhar na pele. Compre um mosquiteiro, que dá estilo à cama.
Aproveite a ida ao médico para fazer um «check-up. Os serviços de saúde, públicos e privados, são pobres na capital e quase inexistentes no resto do arquipélago. Leve os medicamentos que anda a tomar e aquilo de que acha poder precisar, mas sem hipocondrias. Leve pelo menos alguns dólares, o câmbio é sempre melhor do que o do euro. Lá, o prestígio da nota verde vale muito mais do que as últimas notícias de Frankfurt ou Wall Street. Leve também rolos ou outro material necessário à recolha de imagens que pretende fazer, fora de S. Tomé podem ser bastante difíceis de encontrar. Não esqueça a carta de condução.

Durante

Evite o gelo, os legumes crus,os ovos e os productos lácteos locais, que também são raros. Beba apenas água mineral e outros líquidos engarrafados. A cerveja Creola é bem boa. Fique longe do grogue, a aguardente feita de cana de açúcar, e sabe-se lá mais de quê, que toda a gente faz em casa, em bidões de plástico como o gosto não deixa esquecer. Besunte-se com o repelente quando começar a escurecer. É entre o fim da tarde e as 23 horas que os mosquitos andam mais assanhados. Os roteiros dizem que eles só atacam à noite, mas há alguns que não sabem ou não respeitam as regras do jogo e que são capazes de fazer um festim com o seu pé, enquanto você julga que almoça sozinho. Evite a proximidade de águas paradas.
Use um bom protector solar.
Se gosta de artesanato, finja que detesta, até estar quase a regressar. Os moleques que vendem artesanato não o largarão o resto das férias, mesmo que você insista – e até acredite – que já comprou tudo. Ofereça metade do que lhe pedem. Mas não lhe fica mal dar mais qualquer coisa. Todos os vendedores têm um «avô» artesão, que é quem faz as peças «únicas», tão perfeitas que ficam todas iguais, em qualquer sítio. Se lhe oferecerem um tambor feito de encomenda, como aqueles que você está a ver, a troco dos seus ténis, sandálias ou «jeans», aceite. Faça por ver uma representação – ou parte, que algumas demoram seis horas – do Tchiloli, um espectáculo que é quase um desporto nacional e que impressiona pela coreografia, colorido e anacronismos enxertados na tragédia do Marquês de Mântua.
Não deixe de tomar o comprimido do paludismo, só porque não pode beber álcool nesse dia e porque ele lhe está a dar cabo do fígado e porque ele lhe provoca uma disposição esquisita, mistura de irritação, tristeza e ansiedade. Beba um sumo de canja-manga ou vá ao Café Passante, entre o Hotel Miramar e a Embaixada Portuguesa, comer um pastel de nata ou uma bola-de-berlim do tamanho de um coco.
Ande com algumas notas pequenas na carteira. Quase não há moedas, que também não valem nada, e assiste-se a uma crise terrível de trocos no arquipélago. Ninguém tem troco suficiente, sugerem-lhe que deixe ficar assim. É um hábito irritante, até porque muitas vezes estaríamos dispostos a dar gorjeta, se nos deixassem fazê-lo espontaneamente. Mas não fique a pensar que é a ganância geral. Nos estabelecimentos comerciais, se a chamada é local, raramente aceitam dinheiro pelo telefonema atrasar a fome.
( in http://www.fotosantesedepois.com/viagens-sao-tome-e-principe/ )


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A bandeira


A Bandeira 

Para começarmos a falar deste país maravilhoso que é São Tomé e Príncipe iremos dar a conhecer um dos símbolos nacionais: a bandeira nacional.


A Bandeira de São Tomé e Príncipe foi adoptada a 5 de Novembro de 1975.O triângulo vermelho simboliza a dura luta pela independência e as duas estrelas negras representam as duas principais ilhas do país, a de São Tomé e a de Príncipe. O verde representa a exuberante vegetação das ilhas e o amarelo as suas riquezas, especificamente a resultante da produção do cacau.
Bandeira hasteada



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Ilhas maravilhosas

Paisagem turística das ilhas maravilhosas de São Tomé e Príncipe 


Neste blog queremos dar o conhecer um pouco mais de São Tomé e Príncipe para tal iremos abordar vários temas deste maravilhoso país como a  cultura, gastronomia, politica, desporto, etc.. sem esquecer de temas da actualidade santomense.